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Para Assuntos Sagrados Precisamos de um “Minian”

Quórum de dez

Existem várias orações que podem ser recitadas individualmente, sem a presença de outros ao nosso redor. No entanto, ocorre que algumas orações são tão sagradas, que elas exigem a presença de dez pessoas antes mesmo de serem recitadas.

No idioma hebraico, um grupo de dez homens é chamado de “Minian”.

Em toda Tefilá na sinagoga, os presentes perguntam: “O Minian já está completo?” Isso acontece porque, sem Minian, não é possível a recitação nem do “Kadish” (a oração pelos falecidos) e nem da “Kedushá” (a santificação do Nome de D-us, inspirada no louvor dos anjos).

Essas regras são derivadas do versículo (Vayikra/Levítico 22:32): “Serei santificado no meio dos Filhos de Israel”. A expressão “no meio” significa “dentro de um grupo, de uma congregação”.

Sobre o quórum de dez

O número necessário para formar esse grupo ou congregação é derivado da porção da Torá desta semana, Shlach Lecha, que apresenta a narrativa dos espiões. Na ocasião, D-us diz a Moshê: “Até quando terei de suportar esta má-congregação?” (Bamidbar/Números 14:27).

Essa “má-congregação” estava composta por “dez” espiões perversos.

A partir desse verso, nossos sábios concluíram que a definição de uma assembleia é um grupo de dez homens.

A assembleia desfruta do mérito da Presença Divina. Assim, por essa razão, é que somente com um Minian é possível recitar as orações mais sagradas, como o Kadish, por exemplo.

Algumas regras

Existem muitas regras relacionadas ao Minian.

Esse quórum de 10 pessoas para realizar uma Tefilá levanta diversas questões, como por exemplo: Quem pode ser contado para completá-lo?

Suponhamos que haja apenas nove homens na sinagoga com mais de 13 anos. Nessa ocasião, uma criança menor de 13 anos pode ser contada?

Essa pergunta pode parecer estranha, mas na prática essa situação ocorre com bastante frequência. A seguir, apresentamos um trecho da “Halachá” (Lei Judaica) referente a essa questão:

Algumas autoridades permitem isso em casos de necessidade. O “Raavad” (Rabi Avraham ben David, século 12, França) entende por situação de “necessidade” o risco de que o único Minian da cidade deixe de existir.

Outros, entretanto, sustentam que já existe uma situação de necessidade quando um Minian precisa ser dissolvido, mesmo que ainda haja outros Minianim na cidade.

Especificando as condições para aplicar a exceção

Antes que essa cláusula de exceção possa ser aplicada, uma série de condições deve ser cumprida:

  1. Em primeiro lugar, apenas “uma” criança pode ser incluída;
  2. Em segundo lugar, o menor contado deve saber para Quem se está rezando (isto é, para D-us);
  3. Em terceiro lugar, o menor não pode ter menos de 6 anos de idade;
  4. Em quarto lugar, o menor só pode ser contado para a “Kedushá”, o “Barechu” e um “Kadish” obrigatório. Por exemplo, o Kadish recitado após o Aleinu “não é” considerado obrigatório (logo mesmo com o menor ele não pode ser recitado).

Algumas outras restrições

Existem outras restrições que também podem ser aplicadas.

Como não há consenso entre os “Poskim” (autoridades haláchicas) sobre a “inclusão de um menor”, é desejável que o “Chazan” (o cantor litúrgico) espere, nas palavras “Shirá Chadashá Shibchu Geulim”, até que a congregação termine a “Shemonê Esrê” silenciosa.

Depois que a congregação concluir a Shemonê Esrê silenciosa (a Amidá), então, o Chazan inicia com as palavras “Shirá Chadashá Shibchu Geulim” (para que sua oração siga imediatamente à bênção da redenção – “Geulá”) e então recita a Shemonê Esrê em voz alta.

Sefer Torá

  1. Em quinto lugar, a criança que participa deve segurar um “Sefer Torá” (rolo da Torá) nas mãos. Esse Sefer Torá “não precisa” ser casher (ritualmente válido). Nesse caso, até mesmo um Sefer Torá “passul” (inválido) é suficiente. Por outro lado, um “Chumash” (edição impressa dos Cinco Livros de Moshê) já “não serve” para esse propósito.

Aqui existe uma situação que merece esclarecimento.

O ato de segurar um Sefer Torá durante certas partes da oração apresenta problemas. Assim, durante a recitação do “Shemá Israel” ou da “Amidá”, não é permitido segurar um Sefer Torá nas mãos.

O que o menor faz nesses momentos?

Nesses momentos, o menor coloca o Sefer Torá sobre uma mesa e segura apenas os “Atsei Chaim” (“as Árvores da Vida”), os bastões de madeira do rolo da Torá.

Apesar disso, muitos Poskim consideram que, mesmo em situações de necessidade, “não é permitido” contar um menor para completar o Minian.

De onde deriva o Minian?

A exigência de um Minian (quórum de 10 homens judeus) é derivada dos 10 espiões que difamaram a Terra de Israel (os “Meraglim”).

Como é possível derivar uma regra tão importante de pessoas más?

Na verdade, os espiões eram pessoas santas. A intenção dos espiões era, em sua essência, boa.

Eles desejavam permanecer no deserto porque ali não precisavam ganhar o próprio sustento nem trabalhar a terra. No deserto, podiam dedicar-se sem interrupções ao estudo da Torá e à oração.

Por isso, “podemos aprender sobre santidade” até mesmo com os dez espiões “corrompidos”, pois, na realidade, no fundo eram pessoas muito piedosas que desejavam servir constantemente a D-us.

O perigo da não conformidade com a vontade Divina

O pecado deles foi, de fato, grave, porque contrariaram os desígnios de D-us.

Eles não entenderam quão santa é a Terra Santa, sobre a qual está escrito que os olhos de D-us repousam continuamente (Devarim/Deuteronômio 11:12): “É uma terra da qual o Eterno, teu D-us, cuida; os olhos do Eterno, teu D-us, estão continuamente voltados para ela, do início ao fim do ano”.

Portanto, conclui-se que eles não compreenderam que o assentamento e a habitação da Terra de Israel eram parte do propósito Divino e que deveriam ir para lá.

Ainda assim, os espiões eram pessoas santas, e é possível derivar deles ensinamentos relacionados à santidade.

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