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O Óleo da Unção e o Mashiach

Parashá Tzav (Vayikrá/Levítico 6:1–8:36)

“Em seguida, Moisés tomou o óleo da unção e ungiu o Mishkan (Tabernáculo). Depois, derramou o óleo da unção sobre a cabeça de Aarão e o ungiu para santificá-lo” (Vayikrá/Levítico 8:10–12).

Qual é o segredo desse óleo da unção, que desempenha um papel tão importante?

O Redentor judeu, no fim dos tempos, não é chamado de “Go’el” (o libertador), mas de “Mashiach” — o Ungido. O óleo original preparado por Moisés atravessa as gerações; e, quando o Terceiro Templo for construído, será utilizado esse mesmo óleo feito na inauguração do Tabernáculo e na consagração de Aarão.

Inesgotável

Moisés preparou apenas uma pequena quantidade de óleo, ainda assim, ele perdurou indefinidamente, parecendo inesgotável. Nesse sentido, por que D-us ordenou que fossem produzidos apenas “doze (12) log” (cerca de 5 litros)? Não poderia ter sido feito em maior quantidade, suficiente para durar ao longo do tempo?

A resposta é não, porque a questão não gira em torno da quantidade, mas da qualidade.

O óleo garante que tudo funcione corretamente, revelando o conteúdo interior e o fazendo tudo fluir de forma suave e harmoniosa. Esse óleo, por assim dizer, faz com que tudo opere como deve.

Demonstração do processo

Os sacerdotes (cohanim) e o Mishkan não eram santificados pelo óleo da unção em si.

O óleo apenas demonstrava que os sacerdotes e os objetos sagrados já possuíam uma kedushá (santidade). Por isso, uma pequena quantidade era suficiente.

Isso se assemelha ao acendimento de uma vela por outra: o contato com o pavio seguinte é mínimo, apenas o necessário. O potencial de cada vela é despertado pela primeira chama, como o “shamash” em Chanucá, que acende as demais luzes.

O óleo da unção, portanto, apenas traz à tona a santidade já presente no interior.

Da mesma forma, ele revela uma qualidade interna que já existe. Essa kedushá havia sido implantada por D-us. Assim, os filhos dos cohanim e dos reis (também ungidos) herdavam a predisposição ao sacerdócio ou à realeza.

Os objetos do Tabernáculo recebiam santidade tanto pelo mandamento Divino quanto pelas intenções de seus construtores.

Santidade por iluminação, compreensão ou transformação

Quando essa santidade está presente nas gerações anteriores, ela é transmitida às seguintes. Isso também demonstra que a realeza em Israel — cuja expressão máxima será o Mashiach — não é apenas uma função social.

A realeza não é apenas uma função social

Podemos encarar a realeza como um sistema para governar o país de forma eficiente. O monarca, como chefe de Estado, cumpre funções essenciais em qualquer sociedade.

No entanto, a dinastia davídica, da qual descende o Mashiach, possuía um status singular. O rei Davi, por exemplo, era o único autorizado a sentar-se no Beit HaMikdash (Templo de Jerusalém). O Sumo Sacerdote também detinha um status especial.

O reino do sul, Judá — onde governavam os reis davídicos e onde se situava o Templo de Jerusalém — exigia um grau mais elevado de santidade.

Os descendentes de Davi e os cohanim eram os únicos autorizados a utilizar esse óleo da unção. E somente eles podiam sentar-se no Beit HaMikdash, pois constituíam parte intrínseca da santidade do Templo.

A orelha direita, a mão direita e o pé direito

Após a unção dos cohanim e dos utensílios sagrados, e depois dos sacrifícios de inauguração, Moisés deveria colocar o sangue do sacrifício na orelha direita, na mão direita e no pé direito dos cohanim.

A orelha representa a capacidade de absorver a verdade e aprender ensinamentos sábios — é a entrada para o coração e a alma. Ao ser consagrada, indica que deve ser usada apenas para propósitos elevados.

A mão simboliza a ação. Deve ser elevada para a prática da tzedaká (caridade) e da justiça.

O pé, por sua vez, representa o caminho — e sua consagração indica a necessidade de trilhar a direção correta.

A importância de um comportamento correto

Embora todas essas partes do corpo devam ser usadas de maneira sagrada por cada pessoa, esse simbolismo é destacado na consagração sacerdotal para enfatizar a importância do comportamento correto e da elevação do ser humano acima de sua natureza instintiva.

Os cohanim tornam-se, assim, exemplos — modelos a serem seguidos — por todo o povo judeu.

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